quinta-feira, 19 de março de 2009

Crepusculo (Stephenie Meyer) FINAL 1º Livro

24. Um Impasse
Meus olhos abriram para uma brilhante, branca luz. Eu estava em um quarto que não me era familiar, um quarto branco. A parede perto de mim estava cobertas por longas venezianas verticais; acima da minha cabeça, as ofuscantes luzes me cegaram. Eu estava apoiada em uma dura, irregular cama - uma cama com grades. O travesseiro era liso e grumoso. Havia um irritante som de bip vindo de algum lugar. Eu tinha esperanças de que significasse que eu ainda estava viva. Morte não devia ser tão desconfortável.Minhas mãos estavam completamente deformadas com tubos claros, e alguma coisa estava amarrada cruzando meu rosto, embaixo do meu nariz. Eu levantei minha mão para tirar aquilo."Não, não faça”.E dedos frios alcançaram minha mão."Edward?" Eu virei minha cabeça vagarozamente, e seu delicado rosto estava apenas à uma polegada do meu, seu queixo apoiado na beira da minha grade. Eu percebi que eu estava viva, dessa vez com agradecimento e sublimidade. "Oh, Edward. Eu sinto muito!” ·"Shhhh," ele me silenciou. "Tudo está bem agora”."O que aconteceu?" Eu não conseguia lembrar perfeitamente, e minha meste se rebelava contra mim enquanto eu tentava relembrar."Eu quase cheguei tarde demais. Eu podia ter chegado tarde demais”, ele sussurrou, sua voz atormentada."Eu fui tão estúpida, Edward. Eu achei que ele estava com minha mãe”."Ele enganou a todos nós”."Eu tenho que ligar para Charlie e para minha mãe”, Eu percebi pela neblina."Alice ligou para eles. Renée está aqui - bem, aqui no hospital. Ela está comendo alguma coisa nesse momento”."Ela está aqui?" Eu tentei sentar, mas o giro da minha cabeça ficou mais rápido, e sua mão me empurrou gentilmente para o travasseiro."Ele vai estar de volta logo”, ele prometeu. "E você tem que ficar tranqüila”."Mas o que você disse a ela?" Eu entrei em pânico. Eu não queria ficar tranquila. Minha mãe estava lá e eu estava me recuperando do ataque de um vampiro. "Porque você disse a ela que eu estou aqui?”.

"Você caiu por dois andares de uma escada e por uma janela”.Ele pausou. "Você tem que admitir, isso podia ter acontecido”.

Eu suspirei, e isso doeu. Eu olhei para baixo para meu corpo embaixo do lençol, para o grande bloco que era minha perna.

"O quão mal eu estou?" Eu perguntei.

"Você tem uma perna quebrada, quatro costelas quebradas, algumas fendas em seus ossos, machas roxas cobrindo cada polegada de seu corpo, e você perdeu um monte de sangue. Eles fizeram algumas transfusões em você. Eu não gostei disso - isso fez você cheirar completamente diferente por um tempo”.

"Isso deve ter sido uma boa mudança pra você”.

"Não, eu gosto de como você cheira”.

"Como você fez isso?" Eu perguntei calmamente. Ele soube o que eu quis dizer de primeira.

"Eu não tenho certeza”.Ele olhou pra longe dos meus olhos curiosos, levantando minha mão enfaixada da cama e segurando gentilmente com a dele, cuidadoso em não romper o fio que me conectava aos monitores.

Eu esperei pacientemente pelo resto.

Ele continuou sem responder a minha contemplação. "Era impossível... parar”, ele sussurrou. "Impossível. Mas eu fiz”.Ele olhou pra cima finalmente, com um meio sorriso. "Eu tenho que te amar”.

"Eu não tenho um gosto tão bom quanto o cheiro?" Eu sorri em resposta. Aquilo machucou meu rosto.

"Até melhor - melhor do que eu imaginava”.

"Sinto muito”, Eu me desculpei.

Ele levantou seus olhos para o teto. "De todas as coisas para se desculpar”.

"Pelo que eu devia me desculpar?”.

"Por chegar muito perto de ficar pra longe de mim pra sempre"

"Sinto muito" Eu me desculpei novamente.

"Eu sei porque você fez isso”.Sua voz era reconfortante. "Era ainda irracional, é claro. Você deveria ter me esperado, deveria ter me contado”.

"Você não me deixaria ter ido”.

"Não”, ele concordou em um tom amargo, "Eu não deixaria”.

Algumas memórias muito desagradáveis estavam começando a voltar para mim. Eu estremeci, e então recuei.

Ele estava instantaneamente inquieto. "Bella, o que aconteceu?”.

"O que aconteceu com James?”.

"Depois que eu o separei de você, Emmet e Jasper tomaram conta dele”.Havia uma feroz conotação de pesar em sua voz.

Isso me confundiu. "Eu não vi Emmet e Jasper lá”.

"Eles tiveram que sair do quarto... tinha muito sangue”.

"Mas você ficou”.

"Sim, eu fiquei”.

"E Alice, e Carlisle..." Eu falei curiosa.

"Eles também te amam, você sabe”.

Um flash de imagens dolorosas da última vez que eu tinha visto Alice me lembrou de uma coisa. "Alice viu a fita?" Eu perguntei ansiosamente.
"Sim". Um novo som obscureceu a voz dele, um tom de ódio.
"Ela sempre esteve no escuro, por isso não conseguia lembrar".
"Eu sei. Ela entende agora". A voz dele estava uniforme, mas seu rosto estava negro de fúria.
Eu tentei alcansar o rosto dele com a minha mão livre, mas alguma coisa me parou. Eu olhei pra baixo pra ver o tubo puxando minha mão.
"Ugh", eu estremecí.
"O que foi?", ele perguntou ansiosamente - distraído, mas não o suficiente. A escuridão não abandonou os olhos dele completamente.
"Agulhas", eu expliquei, desviando o olhar daquela que estava na minha mão. Eu me concentrei nos ladrilhos do teto e tentei respirar fundo a despeito da dor nas minhas costelas.
"Medo de agulhas", ele murmurou pra si mesmo por baixo do fôlego, balançando a cabeça. "Oh, um vampiro sádico, tentando torturar ela até a morte, claro, sem problema, ela corre pra encontrá-lo. Um tubo na mão, por outro lado...”.
Eu revirei meus olhos. Eu fiquei satisfeita de ver que pelo menos isso não doia. Eu decidí mudar de assunto.
"Porque você está aqui?", eu perguntei.
Ele olhou pra mim, primeiro a confusão depois a dor tocou os olhos dele. As sobrancelhas dele ficaram juntas quando ele fez uma careta.
"Você quer que eu vá embora?”.
"Não!", eu protestei, horrorizada pelo pensamento. "Não, eu quis dizer, porque minha mãe acha que você está aqui? Eu preciso lembrar da história direitinho pra quando ela voltar".
"Oh”, ele disse, e a testa dele se suavizou num mármore de novo. "Eu vim pra Phoenix pra colocar algum senso na sua cabeça, pra te convencer a voltar pra Forks". Os olhos dele eram tão intensos e tão sinceros, que eu mesma quase acreditei nele. "Você concordou em me ver e foi dirigindo até o hotel onde eu estava com Carlisle e Alice - é claro de que estava aqui com a supervisão de meu pai", ele inseriu virtuosamente, "Mas você tropeçou nas escadas á caminho do meu quarto e... bem, você já sabe o resto. Porém, você não precisa lembrar dos detalhes; você tem uma desculpa muito boa pra não se lembrar dos detalhes mais importantes".
Eu pensei nisso por um momento. "Tem algumas falhas nessa história. Como nenhuma janela quebrada".
"Na verdade não", ele disse. "Alice se divertiu um pouco demais fabricando as evidências. Tudo já foi cuidado de forma muito convincente - você poderia provavelmente até processar o hotel se você quisesse. Você não tem nada com o que se preocupar", ele prometeu, alisando minha bochecha com o mais leve dos toques. "Seu único trabalho agora é sarar".
Eu não estava tão envolvida pelas dores ou pela névoa dos medicamentos pra não responder ao toque dele. O bipe do monitor pulou erraticamente - agora ele não era mais o único que podia ouvir o meu coração se comportando mal.
"Isso vai ser vergonhoso", eu murmurei pra mim mesma.
Ele gargalhou, e um olhar especulativo apareceu nos olhos dele. "Hmm, eu imagino..."
Ele se inclinou; o barulho do bipe acelerou selvagemente antes mesmo que seus lábios me tocassem. Mas quando me tocaram, mesmo que com a mais leve pressão, o bipe parou completamente.
Ele pulou pra trás abruptamente, sua expressão ansiosa se tornando de alívio enquanto o monitor reportava meu coração voltando a bater.
"Parece que eu vou ter que ser mais cuidadoso com você do que o normal".
Ele fez uma careta.
"Eu não terminei de beijar você", eu reclamei. "Não me faça ter que ir até aí".
Ele sorriu largamente, e se inclinou pra pressionar seus lábios gentilmente nos meus. O monitor ficou louco. Mas então seus lábios se esticaram. Ele se afastou.
"Eu acho que estou ouvindo sua mãe", ele disse, sorrindo largamente de novo.
"Não me deixe", eu chorei, uma sensação irracional de pânico passando por mim. Eu não podia deixá-lo ir - ele podia desaparecer de novo.
Ele leu o terror nos meus olhos por um breve segundo. "Eu não vou", ele prometeu solenemente, e então sorriu. "Eu vou tirar uma soneca".
Ele saiu da cadeira de plástico ao meu lado e foi para um sofá de couro falso azul-turquesa reclinável que havia no pá da cama, inclinando ele pra trás, e fechando seus olhos.
Ele ficou perfeitamente imóvel.
"Não esqueça de respirar", eu sussurrei sarcasticamente. Ele respirou fundo, os olhos ainda fechados.
Eu podia ouvir minha mãe agora. Ela estava falando com alguém, talvez uma enfermeira, ela parecia cansada e aborrecida. Eu queria pular da cama e correr pra ela, pra acalmar ela, pra prometer que estava tudo bem. Mas eu não estava em forma pra pular, então eu esperei pacientemente.
A porta abriu um pouquinho, e ela observou pela abertura.
"Mãe!", eu sussurrei, minha voz cheia de amor e alívio.
Ela olhou para a figura imóvel de Edward no sofá reclinável, e foi na ponta dos pés até minha cama.
"Ele não vai embora nunca, não é?", ela murmurou pra sí mesma.
"Mãe, eu estou tão feliz de ver você!"
Ela se inclinou pra me abraçar gentilmente, e eu senti lágrimas quentes rolando nas bochechas dela.
"Bella, eu estava tão chateada!"
"Me desculpe, mãe. Mas vai ficar tudo bem agora, está tudo bem". Eu confortei ela.
"Eu estou feliz só por ver seus olhos abertos", ela sentou na borda da cama.
De repente eu me dei conta de que não sabia quando era. "Por quanto tempo eu fiquei fechada?"
"É sexta, querida, você esteve fora por algum tempo".
"Sexta?", eu estava chocada. Eu tentei me lembrar que dia era quando... mas eu não queria pensar nisso.
"Eles tiveram que te manter sedada por algum tempo, querida - você tem um monte de ferimentos".
"Eu sei", eu podia sentí-los.
"Você teve sorte porque o Doutor Cullen estava lá. Ele é um homem muito legal... porém novo demais. E ele parece mais um modelo do que um médico..."
"Você conheceu Carlisle?”.
"E a irmã de Edward. Ela é uma garota adorável".
"Ela é", eu concordei sinceramente.
Ela olhou por cima do ombro para Edward, que ainda estava com os olhos fechados no sofá.
"Você não me contou que tinha tão bons amigos em Forks".
Eu bajulei e então gemí.
"O que dói?", ela perguntou ansiosamente, se virando pra mim de novo. Os olhos de Edward vieram na minha direção.
"Eu estou bem", eu assegurei aos dois. "Eu só tenho que lembrar de não me mexer". Ele voltou á sua sonora soneca.
Eu usei a vantagem da distração pelo comentário da minha mãe pra evitar que assunto não fosse para o meu comportamento menos-cuidadoso. "Onde está Phil?", eu perguntei rapidamente.
"Flórida - oh, Bella! Você nunca vai adivinhar! Quando estamos prestes a ir embora, as melhores notícias!"
"Phil conseguiu um contrato?", eu adivinhei.
"Sim! Como você adivinhou! Os Suns, dá pra acreditar?"
"Isso é ótimo, mãe", eu disse com todo o entusiasmo que pude, apesar de não ter a mínima idéia de quem ela estava falando.
"E você vai gostar tanto de Jacksonsville", ela esguichava enquanto eu olhava vagamente pra ela. "Eu fiquei um pouco preocupada quando Phil começou a falar de Akron, com toda aquela neve e tudo mais, porque você sabe que eu odeio o frio, mas Jacksonsville! É sempre ensolarado, e a umidade não é tão ruim assim. Nós achamos a casa mais fofa, amarela, com a ornamentação branca, e com uma entrada como a dos filmes antigos, e um enorme carvalho, e é só a alguns minutos do oceano, e você terá seu próprio banheiro-"
"Espere, mãe", eu interrompí. Edward ainda estava com os olhos fechados, mas estava tenso demais pra fingir que estava adormecido.
"Do que é que você tá falando? Eu não vou para a Flórida. Eu vivo em Forks".
"Mas você não tem que viver mais, sua boba", ela riu. "Phil vai conseguir ficar mais parado agora... nós falamos muito sobre isso, e o que eu vou fazer é deixar de ir a alguns jogos, metade do tempo com ele, metade do tempo com você".
"Mãe", eu hesitei, imaginando o melhor jeito de ser diplomática sobre isso. "Eu quero viver em Forks. Eu já estou acostumada com a escola, eu tenho algumas amigas" - ela olhou pra Edward de novo quando eu falei das amigas, então eu tentei outra direção.
"Charlie precisa de mim. Ele fica sozinho lá, e ele não sabe cozinhar nem um pouco".
"Você quer ficar em Forks?", ela perguntou, desnorteada. Essa era uma idéia inconcebível para ela. E então os olhos dela Foram parar em Edward de novo. "Porque?"
"Eu te disse - escola, Charlie, ai!", eu levantei os ombros. Má idéia.
As mãos dela flutuaram por cima de mim sem poder fazer nada, tentando encontrar um lugar onde ela pudesse segurar em segurança. Ela encontrou minha testa; não haviam bandagens lá.
"Bella, querida, você odeia Forks", ela me lembrou.
"Não é tão ruim assim".
Ela fez uma careta olhando pra frente e pra trás entre Edward e eu, dessa vez muito deliberadamente.
"É esse garoto?", ela sussurrou.
Eu abri minha boca para mentir, mas os olhos dela estavam me analisando, e eu sabia que ela veria além da mentira.
"Ele é parte disso", eu admiti. Eu não precisava contar qual era o tamanho da parte. "Então, você teve uma chance de conversar com Edward?", eu perguntei.
"Sim", ela hesitou olhando para a sua forma perfeitamente imóvel. "E eu quero falar com você sobre isso".
Uh-oh. "Sobre o que?", eu perguntei.
"Eu acho que esse garoto está apaixonado por você", ela acusou, mantendo a voz baixa.
"Eu também acho que sim", eu confiei.
"E como você se sente em relação a ele?" Ela escondeu muito mal a curiosidade na voz dela.
Eu suspirei, desviando o olhar. Não importava o quanto eu amasse minha mãe, essa não era uma conversa que eu queria ter com ela.
"Eu estou louca por ele". Aí - isso parece com algo que uma adolescente diria sobre o primeiro namorado dela.
"Bem, ele parece muito legal, e, minha nossa, ele é incrivelmente lindo, mas você é tão jovem, Bella...", a voz dela estava incerta; até onde eu podia lembrar, essa era a primeira vez desde que eu tinha oito anos que eu ouví alguma coisa aproximada de autoridade materna. Eu reconheci aquele tom razoável mas firme que nós tinhamos nas nossas conversas sobre homens.
"Eu sei,mãe. Não se preocupe. É só uma paixonite", eu acalmei ela.
"Isso mesmo", ela concordou, facilmente agradada.
Então ela suspirou e deu uma olhada cheia de culpa para o grande relógio redondo na parede.
"Você precisa ir?"
Ela mordeu o lábio. "Phil deve ligar em pouco tempo... eu não sabia quando você acordaria..."
"Sem problemas, mãe", eu tentei não mostrar muito o alívio pra que ela se sentisse um pouco culpada. "Eu não vou ficar sozinha".
"Eu volto logo. Eu estive dormindo aqui, sabe", ela anunciou, orgulhosa de sí mesma.
"Oh, mãe, você não precisava fazer isso! Você pode dormir em casa - eu nunca iria reparar". A onda de medicamentos pra dor fazia a minha concentração dificil mesmo agora, apesar de, aparentemente, eu ter ficado dormindo durante dias.
"Eu estava nervosa demais", ela admitiu timidamente. "Aconteceu algum crime no bairro, e eu não gosto de ficar lá sozinha".
"Crime?", eu perguntei alarmada.
"Alguém invadiu aquele estúdio de dança na esquina da nossa casa e tocou fogo nele - não sobrou nada! E eles deixaram um carro roubado lá na frente. Você lembra de quando tinha aulas de dança lá, querida?"
"Eu me lembro", eu me arrepiei e estremecí.
"Eu posso ficar, bebê, se você precisar de mim".
"Não, mãe, eu vou ficar bem. Edward vai ficar comigo".
Pareceu que esse era o motivo pelo qual ela queria ficar. "Eu vou voltar á noite", isso pareceu tanto um aviso quanto uma promessa, e ela olhou para Edward de novo quando disse isso.
"Eu te amo, mãe".
"Eu te amo também, Bella. Tente ser mais cuidadosa quando anda, querida. Eu não quero perder você".
Os olhos de Edward continuaram fechados, mas um sorriso largo apareceu no rosto dele.
Uma enfermeira invadiu o quarto nessa hora pra checar meus tubos e fios. Minha mãe beijou minha testa, deu uma tapinha na minha mão com o curativo e foi embora.
A enfermeira estava checando o papel da minha avaliação e o monitor do meu coração.
"Você está se sentindo ansiosa, querida? O seu coração está parecendo um pouco rápido aqui".
"Eu estou bem", eu assegurei ela.
"Eu vou dizer á medica que está cuidando de você que você está acordada. Ela vai vir te ver em um minuto".
Assim que ela fechou a porta, Edward estava á meu lado.
"Você roubou um carro?", eu ergui minhas sobrancelhas.
Ele sorriu, sem arrependimento. "Era um bom carro, muito rápido".
"Como foi a sua soneca?", eu perguntei.
"Interessante", os olhos dele estreitaram.
"O que?"
Ele olhou pra baixo enquanto falava. "Eu estou surpreso. Eu pensei que a Flórida... e a sua mãe... bem, eu pensei que isso era tudo o que você podia querer".
Eu olhei pra ele sem compreender. "Mas você ficaria preso o dia inteiro em casa na Flórida. E você só poderia sair durante a noite, como um vampiro de verdade".
Ela quase sorriu, mas não exatamente. E o rosto dele estava grave.
"Eu ficaria em Forks, Bella. Ou algum lugar assim", ele explicou.
"Algum lugar onde eu não te machucasse mais".
No início eu não toquei. Eu continuei a olhar pra ele com o olhar vazio enquanto as palavras se encaixavam uma a uma na minha cabeça como um horrível quebra-cabeça. Eu mal tinha consciencia do som do meu coração acelerando, apesar de que, a minha respiração que estava hiperventilando, me deixou consciente da dor aguda das minhas costelas protestando.
Ele não disse nada; ele observou meu rosto cautelosamente enquanto uma dor que não tinha nada a ver com meus ossos quebrados, um dor que era muito pior, ameaçava me deixar aos pedaços.
E então outra enfermeira entrou propositalmente no quarto. Edward estava rígido como uma pedra enquanto ela olhava pra mim primeiro com um olho treinado e depois para o monitor.
"Está na hora dos remédios pra dor agora, querida?", ela perguntou carinhosamente, dando tapinhos no tubo de entrada.
"Não, não", eu murmurei, tentando esconder a agonia que havia na minha voz. "Eu não preciso de nada agora". Eu não podia me dar ao luxo de fechar os olhos agora.
"Não precisa ser corajosa, querida. É melhor se você não se estressar; você deve descansar".
Ela esperou, mas eu só balancei minha cabeça.
"Ok", ela suspirou. "Aperte o botão quando estiver pronta".
Ela deu uma olhada pra Edward e depois deu outra olhada ansiosa pra o monitor, antes de ir.
As mãos frias dele estavam no meu rosto; eu olhei pra ele com os olhos bem abertos.
"Shhh, Bella, acalme-se".
"Não me deixe", eu implorei com uma voz quebrada.
"Eu não vou", ele prometeu. "Agora relaxe antes que eu chame a enfermeira pra te sedar".
Mas meu coração não conseguia se aquietar.
"Bella", ele acariciou meu rosto ansiosamente. "Eu não vou a lugar nenhum. Eu vou ficar aqui até quando você precisar de mim".
"Você promete que não vai me deixar?", eu sussurrei. Eu tentei controlar a minha respiração, pelo menos. Minhas costelas estavam reclamando.
O cheiro do hálito dele era um calmante. Pareceu diminuir as dores da minha respiração. Ele continuou segurando o meu olhar enquanto meu corpo relaxava lentamente e o bipe voltava ao ritmo normal. Os olhos dele estavam escuros, mais próximos do preto do que do dourado hoje.
"Melhor?", ele perguntou.
"Sim", eu disse cautelosamente.
Ele balançou a cabeça e murmurou alguma coisa impossível de entender. Eu achei ter entendido a palavra " Reação".
"Porque você disse isso?", eu sussurrei, tentando evitar que a minha voz tremesse. "Você se cansou de ter que ficar me salvando o tempo inteiro? Você quer que eu vá embora?"
"Não, eu não quero ficar sem você, Bella, é claro que não. Seja racional. E eu também não tenho problema nenhum em salvar você - isso se não fosse pelo fato de que sou eu que está te colocando em risco... que eu sou a razão pela qual você está aqui".
"Sim, você é a razão", eu fiz uma careta. "A razão pela qual eu estou aqui -viva".
"Por pouco", a voz dele era um sussurro. "Coberta de gaze e de gesso e quase impossibilitada de se mexer".
"Eu não estava me referindo á mais recente experiência de quase-morte", eu disse rugindo, irritada. "Eu estava falando das outras- você pode escolher uma.
"Se não fosse por você eu estaria dando um passeio pelo cemetério de Forks".
Ele estremeceu com as minhas palavras, mas o olhar de perseguição não deixou os olhos dele.
"No entanto, essa não é a pior parte", ele continuou a sussurrar. Ele agia como se eu não tivesse falado. "Não ver você lá no chão... amassada e quebrada". A voz dele estava chocada. "Não foi pensar que eu estava atrasado. Nem mesmo ouvir você gritando de dor - todas essas memórias insuportáveis que eu vou carregar comigo por toda a eternidade. Não, a pior parte foi sentir... saber que eu não podia parar. Acreditar que eu mesmo fosse acreditar você".
"Mas você não matou".
"Mas eu podia. Tão facilmente".
Eu precisava ficar calma... mas ele estava tentando se convencer a me deixar, e o pânico fluia nos meus pulmões, tentando sair.
"Me prometa", eu sussurrei.
"O que?"
"Você sabe o que", eu estava começando a ficar com raiva agora. Ele estava tão teimosamente determinado a continuar na negativa.
Ele ouviu a mudança na minha voz, seus olhos se estreitaram. "Eu não pareço ser forte o suficiente pra ficar longe de você, então eu acho que você seguirá seu caminho... quer isso mate você ou não", ele acrescentou duramente.
"Bom", ele, porém, não prometeu - um fato que eu não deixei passar.
O pânico só estava meio controlado; eu não tinha mais controle para segurar a raiva. "Você me disse como parou... agora eu quero saber porque", eu quis saber.
"Porque?", ele perguntou cautlosamente.
"Porque você fez isso? Porque você não deixou o veneno se espalhar? A essas horas eu seria como você".
Os olhos de Edward pareceram ficar completamente negros, e eu me lembrei que isso era uma coisa que eu nunca quis que eu soubesse. Alice deve ter estado preocupada com as coisas que descobriu sobre sí mesma... Ou então fou muito cuidadosa com os pensamentos dela perto dele - claramente ele não sbia que ela tinha me enchido com todas as conversas sobre os mecanismos dos vampiros. Ele estava surpreso, e furioso.
As narinas dele inflaram e a boca dele parecia ter sudo esculpida numa pedra.
Ele não ia responder, isso estava claro.
"Eu serei a primeira a admitir que não tenho nenhuma experiência com relacionamentos", eu disse. "Mas me parece lógico... um homem e uma mulher têm que ser parecidos em algo... como, um deles não pode sempre estar sendo abatido e o outro salvando. Eles têm que salvar uma ao outro igualmente".
Ele dobrou os braço do lado da minha cama e descansou o queixo nos braços. Sua expressão era suave, a raiva havia abrandado. Evidentemente ele havia decidido que não estava com raiva de mim. Eu esperava ter uma chance de avisar Alice antes que ele se encontrasse com ela.
"Você me salvou". Ele disse baixinho.
"Eu não posso ser Lois Lane", eu insistí. "Eu quero ser o Superman também".
"Você não sabe o que está pedindo". A voz dele era suave; ele olhava intencionalmente para a pontinha do travesseiro.
"Eu acho que sei”.
"Bella, eu não sei. Eu já tive quase noventa anos pra pensar nisso e ainda não tenho certeza".
"Você queria que Carlisle não tivesse salvado você?"
"Não, eu não desejo isso", ele parou antes de continuar. "Mas a minha vida estava acabada. Eu não estava desistindo de nada".
"Você é a minha vida. Você é a única coisa que eu me incomodaria em perder". Eu estava ficando melhor nisso. Era muito mais fácil admitir o quanto eu precisava dele.
No entanto, ele estava muito calmo. Decidido.
"Eu não posso fazer isso, Bella. Eu não vou fazer isso com você".
"Porque não?", minha garganta arranhou e as palavras não sairam tão altas como eu havia planejado. "Não me diga que é muito difícil! Depois de hoje, ou eu acho alguns dias atrás... de qualquer forma, depois daquilo, isso não devia ser nada".
Ele olhou pra mim.
"E a dor?", ele perguntou.
Eu embranquecí. Eu não pude evitar. Mas eu tentei evitar que a minha expressão mostrasse que eu lembrava da dor... do fogo nas minhas veias.
"Isso é problema meu", eu disse. "Eu posso aguentar".
"É impossível aguentar a coragem a partir do momento que ela se transforma em loucura".
"Isso não é problema. Três dias. Grande coisa".
Edward fez outra careta quando as minhas palavras relembraram ele de que eu estava mais bem informada do que deveria estar. Eu observei ele reprimir, observei os olhos dele ficarem especulativos.
"Charlie?", ele perguntou curtamente. "Renée?"
Os minutos se passaram em silêncio enquanto eu lutava pra responder a pergunta dele. Eu abri a minha boca, mas nenhum som saiu dela. Eu fechei ela de novo. Ele esperou, e a sua expressão se tornou trimfante porque ele sabia que eu não tinha nenhuma resposta de verdade.
"Olha, isso também não é nenhum problema", eu finalmente murmurei, minha voz não estava convincente, como sempre quando eu mentia.
"Renée sempre fez as escolhas que funcionavam pra ela - e ela sempe quis que eu fizesse o mesmo. E a alegria de Charlie, ele está acostumado a ficar sozinho. Eu não posso tomar conta dele pra sempre. Eu tenho a minha própria vida pra viver".
"Exatamente", ele cortou. "E eu não vou acabar com ela pra você".
"Se você está esperando pra ficar comigo no meu leito de morte, eu tenho notícias pra você! Eu estava lá!"
"Você vai se recuperar", ele me lembrou.
Eu respirei fundo pra me acalmar, ignorando o espasmo de dor que isso causava. Eu encarei ele, ele me encarou de volta. Não havia compromisso no rosto dele.
"Não", eu disse lentamente. "Eu não vou".
A testa dele se enrrugou. "É claro que vai. Você pode ficar com um cicatriz ou duas..."
"Você está errado", eu insistí. "Eu vou morrer".
"Sério Bella", ele estava ansioso agora. "Você vai sair daqui em alguns dias. Duas semanas no máximo".
Eu olhei pra ele. "Eu posso não morrer agora... mas eu vou morrer alguma hora. A cada minuto do dia, eu chego mais perto. Eu vou ficar velha".
Ele fez uma careta quando se tocou do que eu estava falando, pressionando seus longos dedos nas têmporas e fechando os olhos. "Isso é o que supostamente acontece. É assim que deve acontecer. Aconteceria se eu não existisse - e eu não deveria existir".
Eu soprei. Ele abriu os olhos surpreso. "Isso é estúpido. Isso é como alguém que acabou de ganhar na loteria, pegando o dinheiro, e dizendo, 'Olha, vamos voltar a ser como as coisas deviam ser. É melhor assim'. Eu não vou aceitar isso".
"Eu não sou bem um premio de loteria", ele rugiu.
"Isso mesmo. Você é muito melhor".
Ele rolou os olhos e ajeitou os lábios. "Bella, nós não vamos mais continuar com essa discussão. Eu me recuso a te amaldiçoar á noite eterna e esse é o fim".
"Se você acha que acaba aqui, você não me conhece muito bem", eu avisei ele.
"Você não é o único vampiro que eu conheço".
Os olhos dele ficaram pretos de novo. "Alice não ousaria".
E por um momento ele pareceu tão assustador que eu não pude deixar de acreditar - Eu não podia imaginar uma pessoa corajosa o suficiente pra passar por cima dele.
"Alice já viu isso, não foi?", eu adivinhei. "É por isso que as coisas que ela fala aborrecem você. Ela sabe que eu serei como vocês... um dia"
"Ela está errada. Ela também viu você morta, mas isso também não aconteceu".
"Você nunca vai me pegar apostando contra Alice".
Nós olhamos um para o outro por um longo tempo. Estava silencioso, exceto pelo barulho das máquinas, o bipe, as gotas, o tique do grande relógio na parede. Finalmente a expressão dele se suavisou.
"Então onde isso nos deixa?", eu imaginei.
Ele gargalhou sem humor. "Eu acredito que se chama impasse".
Eu suspirei, "Ouch", eu murmurei.
"Como você está se sentindo?", olhando para o botão da enfermeira.
"Eu estou bem", eu mentí.
"Eu não acredito em você", ele disse gentilmente.
"Eu não vou voltar a dormir".
"Você precisa descansar. Toda essa discussão não faz bem a você".
"Então desista", eu provoquei.
"Boa tentativa". Ele alcançou o botão.
"Não!"
Ele me ignorou.
"Sim?", o comunicador na parede respondeu.
"Eu acho que estamos prontos para mais remédios para a dor", ele disse calmamente, ignorando minha expressão furiosa.
"Eu vou mandar a enfermeira", a voz parecia muito entediada.
"Eu não vou tomar", eu prometi.
Ele olhou na direção do saco de flúidos ao pendurada do lado da minha cama. "Eu acho que eles não vão te pedir pra engolir nada".
O meu coração começou a bater forte. Ele viu o medo nos meus olhos e suspirou frustrado.
"Bella, você está sentindo dor. Você precisa relaxar pra se curar. Porque você está sendo tão difícil? Eles não vão mais colocar agulhas em você".
"Eu não estou com medo das agulhas", eu murmurei. "Eu estou com medo de fechar meus olhos".
Então ele sorriu o seu sorriso torto, e pegou meu rosto entre as mãos dele. "Eu disse que não vou pra lugar nenhum. Não tenha medo. Enquanto isso te fizer feliz, eu vou ficar aqui".
Eu sorrí de volta, ignorando a dor nas minhas bochechas. "Você está falando de pra sempre, sabe".
"Oh, você vai superar isso - é só uma paixonite".
Eu balancei minha cabeça sem acreditar - isso me deixou tonta. "Eu fiquei chocada quando Renée comprou essa. Eu sei que você sabe mais que isso".
"Isso é a beleza de ser humano", ele me disse. "As coisas mudam".
Meus olhos reviraram. "Não segure o fôlego".
Ele estava sorrindo quando a enfermeira entrou, segurando uma seringa.
"Com licença", ela disse bruscamente pra Edward.
Ele se levantou e cruzou o pequeno quarto, se encostando na parede.
Ele cruzou os braços e esperou. Eu mantive meus olhos nele, ainda apreensiva. Ele encontrou meus olhos calmamente.
"Aí está, meu bem". A enferemeira sorriu enquanto enjetava o medicamento no tubo. "Você vai se sentir melhor agora".
"Obrigada", eu murmurei, sem entusiasmo. Não demorou muito. Eu pude sentir a sonolência invadir minha corrente sanguínea quase imediatamente.
"Eu acho que isso será suficiente", ela disse enquanto minhas pálpebras se fechavam.
Ela deve ter deixado o quarto, porque alguma coisa suave e gelada estava tocando o meu rosto.
"Fique", a palavra saiu mal articulada.
"Eu fico", ele prometeu. A voz dele era linda, como uma canção de ninar.
"Como eu já disse, enquanto isso te fizer feliz... enquanto isso for o melhor pra você".
Eu tentei balançar a minha cabeça, mas ela estava pesada demais. "N é a mesma coisa", eu murmurei.
Ele riu. "Não se preocupe com isso agora, Bella. Você pode discutir comigo quando se acordar".
Eu acho que sorri. "Tá".
Eu pude sentir os lábios dele no meu ouvido.
"Eu te amo", ele sussurrou.
"Eu também".
"Eu sei", ele sorriu baixinho.
Eu virei minha cabeça levemente... procurando. Ele sabia o que eu estava procurando. Seua lábios tocaram o meus gentilmente.
"Obrigada", eu suspirei.
"Á disposição".
Eu já não estava mais completamente lá. Mas eu lutei contra o torpor lentamente. Havia só mais uma coisa que eu queria dizer pra ele.
"Edward?", eu lutei pra pronunciar o nome dele claramente.
"Sim?"
"Eu aposto em Alice", eu murmurei.
E então a noite se fechou sobre mim.
Epílogo: Uma Ocasião
Edward me ajudou a entrar no carro dele, sendo muito cuidadoso com os detalhes de seda e chiffon, as flores que ele colocou nos meus cachos estilosamente elaborados, e o grande gesso na minha perna. Ele ignorou a expressão de raiva da minha boca.Depois que ele me ajeitou, ele foi para o banco do motorista e saímos pelo caminho longo e estreito."Em que ponto você pretende me dizer exatamente onde estamos indo?", eu perguntei fazendo beicinho. Eu odiava surpresas. E ele sabia disso."Eu estou chocado que você ainda não tenha descoberto". Ele jogou um sorriso de zombaria na minha direção, e a minha respiração ficou presa na garganta. Será que um dia eu ia me acostumar á perfeição dele?"Eu mencionei que você está muito bonito, não mencionei?", eu verifiquei."Sim", ele sorriu largamente de novo. Eu nunca havia visto ele vestido de preto antes,e, com o contraste na pela pálida dele, a sua beleza era absolutamente surreal. Isso eu não podia negar, até o fato de que ele estava usando um smoking estava me deixando nervosa.Não tão nervosa quanto o meu vestido, ou o sapato. Só um sapato, já que o meu pé estava seguramente preso no gesso. Mas o salto agulha, preso apenas pelos laços de fita de cetim, certamente não iam me ajudar quando eu tentasse me movimentar."Eu não vou mais voltar se Alice continuar me tratando como a Barbie porquinho-da-índia quando eu vier". Eu estorqui. Eu passei a melhor parte do dia presa no banheiro estonteantemente grande de Alice, eu fui uma vítima desamparada enquanto ela brincava de cabeleireira e maquiadora. Quando eu tentava escapar ou reclamava, ela me lembrava que não tinha memórias de como era ser humana, e me pedia para não atrapalhar a sua vigorosa diversão. Então ela me vestiu com um vestido ridículo - azul escuro, cheio de detalhes e sem os ombros, com uma etiqueta francesa que eu não consegui ler - um vestido que combinava mais com uma passarela do que com Forks.Nada de bom podia sair de uma vestimenta formal, disso eu tinha certeza.
A não ser... mas eu estava com medo de colocar as minhas suspeitas em palavras, mesmo em minha própria cabeça.
Eu fui distraída pelo som do telefone tocando. Edward puxou o telefone do bolso do seu paletó, olhando brevemente no identificador de chamadas antes de atender.
"Alô, Charlie", ele disse cautelosamente.
"Charlie?", eu fiz uma careta.
Charlie tem sido... difícil desde o meu retorno á Forks. Ele compartimentou minha má experiência em duas reações. Com Carlisle ele era quase idolatradamente grato. Por outro lado, ele estava teimosamente preso á idéia de que era culpa de Edward - porque se não fosse por culpa dele eu não teria ido embora de casa em primeiro lugar. E Edward estava longe de discordar dele. Nesses dias eu estava tendo regras que nunca tive antes: Toque de recolher... horários de visita.
Alguma coisa que Charlie disse fez os olhos de Edward crescer de descrença, e então um grande sorriso apareceu no rosto dele.
"Você está brincando!", ele deu uma risada.
"O que é?", eu quis saber.
Ele me ignorou. "Porque você não me deixa falar com ele?" Edward sugeriu com um prazer evidente. Ele esperou por um segundo.
"Olá, Tyler. Aqui é Edward Cullen". A voz dele estava amigável, na superfície. Eu conhecia esse tom bem o suficiente pra ouvir a leve ponta de ameaça. O que é que Tyler estava fazendo na minha casa? A horrível verdade começou a descer sobre mim. Eu olhei novamente para o vestido inapropriado que Alice havia me forçado a usar.
"Eu lamento se houve alguma espécie de falta de comunicação, mas Bella não está disponível essa noite". O tom de Edward mudou e a ameaça ficou de repente muito mais evidente enquanto ele continuava.
"Pra falar a verdade, ela não estará disponível noite nenhuma, quando se tratar de alguém que não seja eu mesmo. Sem ofensa. Eu lamento pela sua noite". Ele não parecia lamentar nem um pouco. E então ele fechou o telefone com um estalo, um grande sorriso no rosto dele.
Meu rosto e meu pescoço estavam vermelhos de raiva.
Eu podia sentir as lágrimas induzidas pela raiva começarem a encher meus olhos.
Ele olhou pra mim surpreso. "A última parte foi demais? Eu não pretendia te ofender".
Eu ignorei isso.
"Você está me levando para o baile!", eu gritei.
Agora era embaraçosamente óbvio. Se eu estivesse prestando um pouco de atenção, eu teria reparado a data nos cartazes que estavam decorando os prédios da escola. Mas eu nunca sonhei que ele me submeteria a isso. Será que ele não me conhecia nem um pouco?
Ele não estava esperando a força da minha reação, isso estava claro.
Ele pressionou os lábios e revirou os olhos. "Não seja difícil, Bella".
Meus olhos foram para a janela; nós já estávamos no meio do caminho para a escola.
"Porque você está fazendo isso comigo?", eu quis saber, horrorizada.
Ele fez um gesto para o smoking. "Sério, Bella, o que você achou que estivéssemos indo fazer?"
Eu estava mortificada. Primeiro, porque eu não vi o óbvio. E também porque minha a vaga suspeita - esperança, na verdade - do porque eu estivesse me arrumando o dia inteiro, enquanto Alice me transformava numa Rainha da beleza, estavam muito distantes da realidade.
As minhas esperanças pareciam muito bobas agora.
Eu achei que havia alguma ocasião brotando. Mas baile! Essa foi a última coisa que passou pela minha cabeça.
Lágrimas de raiva rolaram pelas minhas bochechas. Eu lembrei com desânimo que estava descaracteristicamente usando rímel. Eu limpei rapidamente embaixo dos olhos pra prevenir qualquer mancha. Minha mão não estava preta quando eu a puxei; Talvez Alice soubesse que precisaria de maquiagem á prova de água.
"Isso é completamente ridículo. Porque você está chorando?", ele quis saber frustrado.
"Porque eu estou com raiva!"
"Bella", ele usou toda a força dos seus ardentes olhos dourados em mim.
"O que?", eu murmurei, distraída.
"Me distraia", ele insistiu.
Seus olhos estavam derretendo toda a minha fúria. Era impossível brigar com ele quando ele trapaceava daquele jeito. Eu desisti sem glória.
"Está bem", eu fiz beicinho, sem conseguir sem tão efetiva quanto eu esperava ser. "Eu vou quieta. Mas você vai ver. Eu sempre estou aberta á mais má sorte. Eu provavelmente vou quebrar minha outra perna. Olhe pra esse sapato! É uma armadilha!", eu levantei minha perna como evidência.
"Hmmmm", ele olhou para a minha perna por mais tempo do que o necessário. "Me lembre de agradecer Alice por essa noite".
"Ela vai estar lá?" Isso me confortou um pouquinho.
"Com Jasper, Emmett... e Rosalie", ele admitiu.
O sentimento de conforto desapareceu. Eu não fiz muito progresso com Rosalie, apesar de estar em muitos bons termos com o seu as vezes marido. Emmett gostava de me ter por perto - ele achava que as minhas reações humanas bizarras eram hilárias... ou talvez fosse só o fato de que eu caia muito que ele achava engraçado. Rosalie agia como se eu nem existisse. Enquanto eu balançava a minha cabeça pra dissipar a direção que os meus pensamentos tinham tomado, eu pensei em outra coisa.
"Charlie está nisso tudo?", eu perguntei, suspeitando de repente.
"É claro", ele sorriu, e depois gargalhou. "No entanto, aparentemente, Tyler não estava".
Eu travei meus dentes. Como Tyler podia ter se iludido tanto, eu não podia imaginar. Na escola, onde Charlie não podia nos atrapalhar, Edward e eu éramos inseparáveis - exceto por aqueles raros dias de sol.
Estávamos na escola agora; o conversível vermelho de Rosalie era notável. As nuvens estavam finas hoje, haviam alguns finos raios de sol escapando no céu á oeste.
Ele saiu e deu a volta no carro pra abrir minha porta. Ele levantou sua mão.
Eu fiquei teimosamente sentada no meu banco, com os braços cruzados, sentindo uma punção secreta de presunção.
O estacionamento estava lotado de pessoas vestidas formalmente: testemunhas. Ele não podia me remover á força do carro como já teria feito se estivéssemos sozinhos.
Ele suspirou. "Quando alguém tenta te matar, você é corajosa como um leão - e aí, quando alguém menciona dançar...", ele balançou a cabeça.
Eu engoli seco. Dançar.
"Bella, eu não vou deixar nada te machucar - nem você mesma. Eu não vou largar de você em hora nenhuma, eu prometo".
Eu pensei nisso e de repente estava me sentindo muito melhor. Ele podia ver isso no meu rosto.
"Isso, agora", ele disse gentilmente. "Não vai ser tão ruim assim". Ele abaixou e passou um dos braços pela minha cintura. Eu segurei a outra mão dele e ele me puxou pra fora do carro.
Ele manteu o braço apertado ao meu redor, me segurando enquanto eu mancava em direção á escola.
Em Phoeniz, eles fazem bailes em salões de hotéis. Esse baile era no ginásio da escola, é claro. Possivelmente era o único espaço grande o suficiente para um baile. Quando nós entramos, eu dei uma risadinha. Realmente havia balões com formatos e ornamentos de papel crepe enfeitando as paredes.
"Isso parece um filme de terror esperando pra acontecer", eu ri silenciosamente.
"Bem", ele murmurou enquanto nos aproximávamos da mesa dos ingressos - ele estava carregando a maior parte do meu peso, mas eu ainda tinha que arrastar e empurrar o meu pé para frente - tem mais vampiros presentes do que o necessário".
Eu olhei para o espaço de dança; um espaço grande havia se aberto no espaço, onde dois casais rodopiavam graciosamente. Os outros dançarinos se empurravam nos lados para dar espaço á eles - ninguém queria contrastar com o brilho deles.
Emmett e Jasper estavam intimidantes e indefectíveis em seus smokings. Alice estava arrebatadora num vestido de cetim preto com detalhes geométricos que abriam triângulos na sua pele branca da cor da neve. E Rosalie estava... bem, Rosalie. Ela estava além da imaginação. Seu vívido vestido vermelho era aberto nas costas, apertado na panturrilha onde se abria um detalhe flutuante, com um decote que ia do seu pescoço até a cintura. Eu senti pena de todas as garotas presentes, eu mesma incluída.
"Você quer que vá fechar as portas pra que você possa massacrar os moradores da cidade sem levantar suspeita?", eu sussurrei conspirando.
"E onde é que você se encaixa nesse esquema?", ele olhou pra mim.
"Oh, eu estou com os vampiros, é claro".
Ele sorriu com relutância. "Qualquer coisa pra se mandar do baile".
"Qualquer coisa".
Ele comprou nossos ingressos, e então me virou na direção da pista de dança. Eu me agarrei nele e levantei meu pé.
"Eu tenho a noite inteira", ele avisou
Eventualmente ele me arrastou pra onde a família dele estava rodopiando elegantemente - em um estilo que não se adequava nem um pouco á música que estava tocando agora. Eu observei horrorizada.
"Edward", minha garganta estava tão seca que eu quase não consegui sussurrar. "Eu honestamente não posso dançar!", eu podia sentir o pânico borbulhando no meu peito.
"Não se preocupe, boba", ele sussurrou de volta. "Eu posso". Ele colocou meus braços ao redor do pescoço dele e me levantou pra colocar os pés dele embaixo dos meus.
E então estávamos rodopiando também.
"Eu me sinto como se tivesse cinco anos de idade", eu sorri depois de alguns minutos de rodopio sem esforços.
"Você parece ter cinco anos", ele murmurou, me puxando mais pra perto por um segundo, assim meus pés ficaram á alguns centímetros do chão por alguns segundos.
Alice encontrou meu olhar numa volta e sorriu me encorajando - eu sorri de volta. Eu estava surpresa de perceber que eu realmente estava aproveitando... um pouco.
"Ok, isso não é inteiramente ruim", eu admiti.
Mas Edward estava olhando na direção das portas, e o rosto dele aparentava raiva.
"O que foi?", eu me perguntei em voz alta. Eu segui o olhar dele, desorientada pelos rodopios, mas eu finalmente vi o que estava incomodando ele. Jacob Black, não de smoking, mas com uma camisa de mangas longas e de gravata, seu cabelo puxado pra trás no seu rabo de cavalo de sempre, estava atravessando a pista em nossa direção.
Depois do primeiro choque do reconhecimento, eu não pude deixar de me sentir mal por Jacob. Ele estava claramente desconfortável - dolorosamente desconfortável.
O rosto dele estava pedindo desculpas enquanto seus olhos encontravam os meus.
Edward rosnou bem baixinho.
"Se comporte" eu soprei.
A voz de Edward estava severa. "Ele quer conversar com você".
Jacob chegou até nós nessa hora, a vergonha e as desculpas ainda mais evidentes no rosto dele.
"Ei, Bella, eu estava esperando que você estivesse aqui". Jacob soou como se ele estivesse esperando exatamente o contrário. Mas o sorriso dele estava tão cálido como sempre.
"Oi, Jacob", eu sorri de volta. "E aí?"
"Eu posso atrapalhar?", ele pediu tentadoramente, olhando pra Edward pela primeira vez. Eu estava chocada de ver que Jacob nem precisou olhar pra cima. Ele já deve ter crescido uns cinco centímetros desde a primeira vez que eu vi ele.
O rosto de Edward estava composto, sua expressão vazia. A única resposta dele foi me colocar cuidadosamente nos meus próprios pés, e dar um passo pra trás.
"Obrigado", Jacob disse amigavelmente.
Edward só balançou a cabeça, olhando pra mim atentamente antes de se virar e ir embora. Jacob colocou as mãos na minha cintura, e eu coloquei as minhas mãos nos ombros dele.
"Nossa, Jake, qual é a sua altura agora?"
Ele estava presumido. "Um e oitenta e quatro".
Nós não estávamos realmente dançando - minha perna tornava isso impossível. Ao invés disso ele se movimentava estranhamente de um lado pra o outro sem movermos os pés. Estava tudo bem; o súbito crescimento tinha o deixado parecendo meio desequilibrado e desordenado, ele provavelmente não era um dançarino melhor que eu.
"Então,como é que você veio parar hoje?", eu perguntei realmente curiosa.
Levando em conta a reação de Edward, eu já podia advinhar.
"Você acredita que meu pai me pagou vinte pratas pra que eu viesse ao seu baile?", ele admitiu, um pouco envergonhado.
"Sim, eu acredito", eu murmurei. "Bem, pelo menos eu espero que você aproveite, pelo menos. Já viu algo que você gostasse?", eu caçoei, balançando a cabeça na direção de um grupo de garotas alinhadas na parede com os enfeites.
"Sim", ele suspirou. "Mas ela está acompanhada".
Ele olhou pra baixo pra me olhar nos olhos só por um segundo - então nós dois desviamos o olhar, envergonhados.
"Aliás, você está muito bonita", ele acrescentou, timidamente.
"Umm, obrigada. Então, porque Billy te pagou pra vir até aqui?" eu perguntei rapidamente, apesar de já saber a resposta.
Jacob não pareceu agradecido pela mudança no assunto; ele desviou o olhar, desconfortável de novo. "Ele disse que aqui seria um lugar 'seguro' pra conversar com você. Eu juro que o velho está enlouquecendo".
Eu me juntei á risada dele fracamente.
"De qualquer forma, ele disse que se eu te dissesse uma coisa, ele me daria o cilindro mestre que eu preciso", ele confessou com um sorriso envergonhado.
"Me diga, então. Eu quero que você termine o seu carro". Eu sorri de volta. Pelo menos Jacob não acreditava em nada disso. Isso tornava a situação um pouco mais fácil. Na parede, Edward estava olhando o rosto dele, seu próprio rosto estava sem expressão. Eu ví uma garota do segundo ano com um vestido rosa olhar pra ele com uma tímida especulação, mas ele não pareceu estar consciente da presença dela.
Jacob desviou o olhar de novo, envergonhado. "Não fique com raiva, tá?"
"Não tem jeito de eu ficar com raiva de você, Jacob", eu assegurei pra ele. "Eu não vou nem ficar com raiva de Billy. Só diga o que você tem que dizer".
"Bem - isso é estúpido, me desculpe, Bella - ele quer que você termine com o seu namorado. Ele me disse pra te pedir 'por favor'".
Ele balançou a cabeça com desgosto.
"Ele ainda é supersticioso, né?"
"É. Ele ficou... meio fora de sí quando você se machucou em Phoenix.
Ele não acreditou..." Jacob parou se sentindo embaraçado.
Eu revirei meus olhos. "Eu caí".
"Eu sei disso", ele disse rapidamente.
"Ele acha que Edward tem alguma coisa a ver com isso", eu não estava perguntando, e independente da minha promessa, eu estava com raiva.
Jacob não me olhou nos olhos.
Nós não estávamos nem nos incomodando em nos mexer com a música, apesar das mãos dele ainda estarem na minha cintura, e as minhas no pescoço dele.
"Olha, Jacob, eu sei que Billy provavelmente não vai acreditar nisso, mas só pra que você saiba" - ele olhou pra mim agora, respondendo ao novo tom severo na minha voz - "Edward realmente salvou minha vida. Se não fosse por Edward e seu pai, eu estaria morta".
"Eu sei", ele aclamou, mas pareceu que as minhas palavras haviam afetado ele um pouco. Talvez ele seja capaz de convencer Billy disso, pelo menos.
"Ei, eu lamento que você tenha que ter vindo fazer isso, Jacob", eu me desculpei. "De qualquer forma, você ganhou as suas partes, não é?"
"É", ele ainda parecia estranho... chateado.
"Tem mais?", eu perguntei sem acreditar.
"Esqueça", ele murmurou. "Eu vou arrumar um emprego e conseguir o dinheiro sozinho".
Eu olhei pra ele até que ele olhou pra mim. "Cospe logo, Jacob".
"É ruim demais".
"Eu não ligo. Me diga", eu insisti.
"Ok, mas, Deus, isso é ruim". Ele balançou a cabeça. "Ele disse pra te dizer, não, pra te avisar, que - e são palavras dele, não minhas -". Ele levantou uma mão da minha cintura e fez pequenos gestos no ar - "Ele estará observando". Ele esperou timidamente pela minha reação.
Pareceu uma coisa de algum filme sobre a máfia. Eu ri alto.
"Eu lamento por você ter que fazer isso, Jake", eu ri silenciosamente.
"Eu não me importei tanto assim". Ele sorriu aliviado. Seus olhos estavam apreciativos enquanto vasculhavam rapidamente o meu vestido. "Então, eu digo pra ele que você o mandou cuidar dos assuntos dele?", ele perguntou esperançosamente.
"Não", eu suspirei. "Diga a ele que eu estou agradecida. Eu sei que as intenções eram boas".
A música acabou, eu tirei meus braços.
As mãos dele hesitaram na minha cintura, e ele olhou para a minha perna engessada. "Você quer dançar de novo? Ou eu posso te ajudar a ir a algum outro lugar?"
Edward respondeu por mim. "Está tudo bem, Jacob. Eu cuido dela".
Jacob vacilou, e olhou com os olhos arregalados pra Edward, que estava bem ao nosso lado.
"Oi, eu não te vi aí", ele gaguejou. "Eu acho que a gente se vê por aí, Bella".
Ele deu um passo pra trás, acenando sem vontade.
Eu sorri. "É, a gente se vê depois".
"Desculpe", ele disse de novo antes de se virar para as portas.
Edward colocou seus braços ao redor do meu corpo quando a próxima música começou. Era um pouco agitada demais para dança lenta, mas isso não pareceu preocupá-lo. Eu coloquei minha cabeça no peito dele, contente.
"Se sentindo melhor?", eu caçoei.
"Na verdade não", ele disse resumidamente.
"Não fique com raiva de Billy", eu suspirei. "Ele só se preocupa pelo bem de Charlie. Não é nada pessoal".
"Eu não estou irritado com Billy", ele me corrigiu com uma voz entrecortada. "Mas o filho dele já está me irritando".
Eu me separei pra olhar pra ele. O rosto dele estava sério.
"Porque?"
"Primeiro de tudo, ele me fez quebrar minha promessa".
Eu olhei pra ele confusa.
Ele deu um meio sorriso. "Eu prometi que não ia me separar de você essa noite", ele explicou.
"Oh. Bem, eu te perdôo".
"Obrigado. Mas tem outra coisa". Edward fez uma careta.
Eu esperei pacientemente.
"Ele te chamou de bonita", ele finalmente continuou, sua careta ficando ainda mais profunda. "Isso é praticamente um insulto, pelo jeito como você está hoje. Você está muito mais que linda".
Eu sorri. "Eu acho que você está sendo influenciado".
"Eu não acho que seja isso. Além do mais, eu tenho uma ótima visão".
Nós estávamos rodopiando de novo, meus pés em cima dos dele enquanto ele me segurava bem juntinho.
"Então, você vai explicar a razão pra isso tudo?", eu imaginei.
Ele olhou pra mim, confuso, e eu olhei significantemente para o papel crepe nas paredes.
Ele considerou por um momento, e então mudou de direção, rodopiando comigo até a multidão de pessoas na porta dos fundos. Eu peguei uma olhada de Jéssica e Mike, dançando e olhando pra mim curiosamente.
Jéssica acenou, e eu sorri de volta rapidamente.
Angela estava lá também, parecendo abençoadamente feliz nos braços do pequeno Ben Cheney; ela não olhava pra os olhos dele que era uma cabeça menor que ela. Lee e Samantha; Lauren olhando na nossa direção, com Conner; eu podia dizer o nome de todos os rostos que passaram rodopiando por nós. E então estávamos do lado de fora, na fria, e fraca luz do por do sol que estava sumindo. Assim que estávamos sozinhos, ele me pegou nos braços, e me carregou no chão escuro até que alcançamos os bancos embaixo das grandes sombras das árvores anciãs. Ele se sentou lá, me mantendo embalada no peito dele.
A lua já estava no céu, visível através das nuvens, e o rosto pálido dele brilhava na luz branca.
Sua boca estava dura, seus olhos confusos.
"O ponto?" eu perguntei suavemente.
Ele me ignorou, olhando para a lua.
"É o crepúsculo, de novo", ele murmurou. "Outro final. Não importa quanto os dias sejam perfeitos, eles sempre têm que acabar".
"Algumas coisas não têm que acabar", eu murmurei por entre os dentes, subitamente tensa.
Ele suspirou.
"Eu te trouxe para o baile", ele disse lentamente, finalmente respondendo a minha pergunta. "Porque eu não queria que você perdesse nada. Eu não quero que a minha presença tire nada de você, se eu puder evitar. Eu quero que você seja humana. Eu quero que você viva a sua vida como se eu tivesse morrido em 1918 como eu deveria ter morrido".
Eu tremi com as palavras dele, e então balancei a cabeça com raiva.
"Em que estranha dimensão paralela eu iria para um baile por vontade própria? Se você não fosse milhares de vezes mais forte que eu, eu nunca deixaria você se livrar dessa".
Ele sorriu brevemente, mas o sorriso não alcançou os olhos dele. "Não foi tão ruim assim, você mesma disse isso".
"Mas isso é porque eu estou com você".
Nós ficamos quietos por um instante; ele olhava para a lua e eu olhava para ele. Eu queria que houvesse alguma forma de explicar pra ele o quanto minha vida humana era desinteressante.
"Você me diz uma coisa?", ele me perguntou, olhando pra mim com um leve sorriso.
"Eu não digo sempre?"
"Só me prometa que você vai dizer", ele insistiu, sorrindo.
Eu sabia que ia me arrepender disso quase instantaneamente. "Tá bom".
"Você pareceu honestamente surpresa quando soube que eu estava te trazendo pra cá", ele começou.
"Eu estava", eu interferi.
"Exatamente", ele concordou. "Mas você devia ter outra teoria... eu estou curioso - para o que você pensou que eu estivesse me vestindo?"
Sim, arrependimento instantâneo. Eu curvei os lábios, hesitando.
"Eu não quero te dizer".
"Você prometeu", ele protestou.
"Eu sei".
"Qual é o problema?"
Ele sabia que era pura verginha que estava me segurando. "Eu acho que vai te deixar com raiva - ou triste".
As sobrancelhas se juntaram sobre os olhos dele enquanto ele pensava nisso. "Eu ainda quero saber. Por favor?"
Eu suspirei. Ele esperou.
"Bem... eu achei que fosse algum tipo de... ocasião. Mas eu não achei que fosse uma coisa tão humana... baile!" eu ridicularizei.
"Humana?", ele perguntou vazio. Ele se prendeu na palavra chave.
Eu olhei pra baixo para o meu vestido, dedilhando um pedaço de chiffon. Ele esperou em silêncio.
"Tudo bem", eu confessei rapidamente. "Então eu estava esperando que você tivesse mudado de idéia... que você fosse me mudar, afinal".
Uma dúzia de emoções passou pelo rosto dele. Algumas eu reconheci: raiva... dor... e então quando ele pareceu se recompor a expressão dele ficou divertida.
"E você pensou que isso seria uma ocasião black-tie, não pensou?" ele zombou, tocando a lapela do paletó do smoking dele.
Eu fiz uma carranca pra esconder minha vergonha. "Eu não sei como essas coisas funcionam. Pra mim, pelo menos, parecia mais racional do que um baile". Ele ainda estava sorrindo. "Não é engraçado", eu disse.
"Não, você está certa, não é", ele concordou, o sorriso desaparecendo. "No entanto, eu preferia tratar disso como uma piada, do que acreditar que você estava falando sério".
"Mas eu estou falando sério".
Ele suspirou profundamente. "Eu sei. Você quer mesmo tanto assim?"
A dor estava de volta nos olhos dele. Eu mordí meu lábio e afirmei com a cabeça.
"Tão pronta para isso ser o fim", ele murmurou, quase pra sí mesmo.
"Pronta para esse ser o último crepúsculo da vida dele, apesar da sua vida estar só começando. Você está pronta pra abrir mão de tudo".
"Não é o fim, é o começo", eu discordei por baixo do meu fôlego.
"Eu não valho a pena", ele disse tristemente.
"Você se lembra de quando me disse que eu não me via muito claramente?", eu perguntei, erguendo minhas sobrancelhas. "Você obviamente tem o mesmo problema".
"Eu sei o que eu sou".
Eu suspirei.
Mas o humor dele se virou pra mim. Ele curvou os lábios, e os olhos dele estavam sondando. Ele examinou meu rosto por um longo momento.
"Você está pronta agora, então?", ele perguntou.
"Umm", eu engoli seco. "Sim?"
Ele sorriu e inclinou sua cabeça lentamente até que seus lábios frios passaram na minha pele, bem abaixo do contorno da minha mandíbula.
"Agora mesmo?", ele sussurrou, a respiração dele estava fria no meu pescoço. Eu me arrepiei involuntariamente.
"Sim", eu sussurrei, assim minha voz não teria a chance de falhar. Se ele achasse que eu estava blefando, ele ficaria decepcionado. Eu já havia tomado a decisão, e tinha certeza. Não importava que o meu corpo estivesse rígido feito uma tábua, minhas mãos curvadas nos punhos, minha respiração descompassada...
Ele gargalhou sombriamente, e se afastou. O rosto dele parecia desapontado.
"Você realmente acredita que eu desistiria assim tão fácil", ele disse com um leve tom de divertimento na voz dele.
"Uma garota pode sonhar".
As sobrancelhas dele se ergueram. "É com isso que você sonha? Ser um monstro?"
"Não exatamente", eu fiz uma careta pela escolha das palavras dele.
Monstro, realmente. "Eu sonho mais em estar com você por toda a eternidade".
A expressão deve mudou, se suavizou e ficou triste pela súbita dor na minha voz.
"Bella". Seus dedos lentamente traçaram os contornos dos meus lábios. "Eu vou ficar com você - isso não é o suficiente?"
Eu sorri por baixo dos dedos dele. "Suficiente por enquanto".
Ele fez uma careta pela minha tenacidade. Ninguém ia se render essa noite. Ele exalou, e o som foi praticamente um rosnado.
Eu toquei o rosto dele. "Olha", eu disse. "Eu te amo mais do que tudo no mundo junto. Isso não é o suficiente?"
"Sim, é suficiente", ele respondeu sorrindo. "Suficiente pra sempre".
E ele se inclinou pra tocar a minha garganta com seus lábios frios mais uma vez.

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